O Governo Federal anunciou que todos os lotes da Ferrovia Transnordestina foram formalmente contratados, marcando um avanço histórico no projeto que visa integrar o interior produtivo do Nordeste às rotas de exportação brasileiras.

A assinatura das ordens de serviço para os lotes MVP 9 e MVP 10, localizados no Ceará entre Baturité e Aracoiaba, encerrou o ciclo de contratação dos 19 trechos da Fase I da ferrovia, totalizando aproximadamente 1.061 quilômetros entre Paes Landim (PI) e o Porto do Pecém (CE).

A cerimônia de autorização ocorreu no Palácio da Abolição, em Fortaleza (CE), com a presença do ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, do governador do Ceará, Elmano de Freitas, do CEO da Transnordestina Logística S/A, Tufi Daher Filho, e outras autoridades. Com isso, todas as frentes de trabalho estão contratadas, incluindo os 97 quilômetros dos últimos lotes que permitiram fechar o mapa de obras da fase principal do empreendimento.

A conclusão desses lotes é considerada fundamental para consolidar a ferrovia como um corredor logístico estratégico, reduzindo custos de transporte e fortalecendo a competitividade da produção regional, especialmente grãos, minérios e outros insumos, que poderão ser embarcados diretamente nos portos do Nordeste.

O projeto da Transnordestina é financiado com recursos do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional e envolve um aporte financeiro total estimado para a primeira fase em cerca de R$ 8 bilhões, com contribuições de fundos federais regionais como o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e recursos provenientes do leilão de ativos do Finor.

No Piauí, o traçado ferroviário percorre aproximadamente 395 quilômetros sob concessão, conectando áreas agrícolas e de mineração diretamente ao corredor ferroviário que segue até o Ceará e o Porto do Pecém, o que deve ampliar as possibilidades de escoamento e inserção da produção estadual no mercado internacional.

Apesar do avanço nas contratações, a operação ferroviária plena ainda depende de etapas posteriores, incluindo a licença ambiental e o início da fase de testes em trechos já concluídos, como entre Bela Vista do Piauí e Iguatu (CE). O cronograma oficial prevê a conclusão da primeira fase até 2027, com perspectivas de continuidade e expansão da malha ferroviária.