A manutenção da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros segue afetando de forma direta a economia de Oeiras, no Sul do Piauí, um dos principais polos exportadores de mel do estado. O município concentra empresas e cooperativas responsáveis por grandes volumes destinados ao mercado externo, especialmente o norte-americano, que historicamente absorve a maior parte da produção local.

Com a entrada em vigor do tarifaço, ainda em 2025, exportadores instalados em Oeiras registraram o cancelamento imediato de contratos já firmados. Uma das empresas sediadas no município teve cerca de 585 toneladas de mel suspensas, o que comprometeu o fluxo financeiro da cadeia produtiva e gerou impactos em toda a rede de fornecedores, formada majoritariamente por pequenos apicultores da região.

A redução das exportações também pressionou o preço pago ao produtor local. Em Oeiras e municípios vizinhos, o valor do quilo do mel apresentou queda significativa, reduzindo a margem de renda de famílias que dependem da apicultura como principal atividade econômica. O cenário elevou a insegurança para o planejamento da safra de 2026, já que muitos produtores evitam novos investimentos diante da instabilidade do mercado externo.

Além das perdas comerciais, a incerteza em torno da continuidade da tarifa dificulta a renovação de contratos internacionais, afetando a previsibilidade das exportações a partir de Oeiras. Como alternativa, empresas do município passaram a buscar novos compradores na Europa e na Ásia, estratégia que exige adaptação logística e negociações mais longas.

Para 2026, a expectativa entre exportadores de Oeiras é de cautela. A dependência do mercado americano, somada às barreiras comerciais e aos desafios climáticos recentes, mantém o setor em alerta quanto à sustentabilidade econômica da atividade no município.