A sessão da Câmara Municipal de Oeiras, realizada em 20 de outubro de 2025, revelou um claro desalinhamento da oposição com o sentimento da população. Enquanto 95% dos participantes de enquete da imprensa local apoiaram a permanência do SAAE como gestora do abastecimento de água e esgoto, os vereadores Letiano e Espedito Martins direcionaram críticas à campanha "Fica SAAE", que mobiliza a defesa da autarquia municipal.

Segundo o prefeito Dr. Hailton, a gestão anterior tentou promover uma privatização "maliciosa" do serviço, limitando o atendimento à zona urbana e transferindo à Prefeitura a responsabilidade por mais de 200 poços na zona rural — medida que, segundo ele, tornaria o SAAE financeiramente inviável. "Nossa posição é de resistência. Não vamos vender o que é do povo", afirmou o gestor, defendendo a autonomia municipal sobre o serviço essencial.

Durante a sessão, o vereador Letiano concentrou sua crítica em aspectos legais, alegando que o SAAE não foi extinto, com base na Lei nº 1.826/2017, e que a campanha "Fica SAAE" seria desinformada. Já o vereador Espedito ironizou o movimento, sugerindo que o slogan deveria ser "Melhora SAAE", em referência à crise hídrica provocada pelos recentes furtos de cabos em poços da autarquia.

As críticas, porém, destoam do posicionamento popular e da realidade enfrentada pela atual gestão, que busca reconstruir o órgão após herdar dívidas e pendências fiscais. "Trocar o que é nosso por uma promessa de fora seria abrir mão da soberania local", afirmou um morador, em comentário registrado na enquete pública.

O episódio reforça a importância da autonomia municipal na gestão do saneamento básico — tema que ganhou destaque também em Campo Maior, onde o Tribunal de Justiça do Piauí suspendeu o repasse de bens do SAAE ao consórcio regional MRAE. Na decisão, o desembargador Pedro de Alcântara Macêdo destacou que "não há ato formal que autorize a adesão compulsória do município ao consórcio", reconhecendo o risco de danos irreparáveis ao patrimônio público. Isto é, os próprios vereadores que autorizaram a criação do SAAE por lei, se omitiram da responsabilidade de formalizar o ato de venda do órgão na própria câmara que integram.

Assim, a campanha "Fica SAAE" vai além da comunicação institucional: representa a resistência contra a desestruturação de um serviço público essencial, a defesa da soberania local e a voz de uma população que exige respeito à sua vontade.