O discurso do vereador Espedito Martins, proferido na sessão da Câmara Municipal de Oeiras em 3 de novembro de 2025, gerou grande repercussão e críticas por sua falta de embasamento técnico e pela tentativa de transformar uma questão institucional em polêmica política.
O parlamentar usou a tribuna para atacar o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), distorcendo informações e colocando sob suspeita a atuação de órgãos federais e profissionais especializados na área de preservação do patrimônio.
Ao comentar a demolição de um imóvel na Praça Visconde da Parnaíba, antiga residência do ex-prefeito Rocha Neto, o vereador classificou o episódio como um "ato estúpido", fazendo críticas ao IPHAN e citando, de forma descontextualizada, a Polícia Federal. Em um dos trechos mais questionados, Espedito declarou: "o ex-vereador Pedro Freitas recebeu ofício da Polícia Federal [...] tomou um susto, parece que recebeu foi a visita de um agente federal, por ter mudado um medidor na parede da casa dele, e uma casa aqui na Praça Visconde da Parnaíba é demolida."
A fala foi amplamente criticada por sugerir arbitrariedade na atuação da Polícia Federal, sem qualquer prova ou base factual, e por utilizar comparações fora de contexto para desmoralizar instituições sérias. Especialistas apontaram que o vereador demonstrou desconhecimento sobre o funcionamento do IPHAN, órgão federal que atua de forma técnica e respaldada por normas nacionais de preservação e por pareceres de profissionais credenciados, como arquitetos e urbanistas supervisionados pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU).
Além disso, Espedito Martins voltou a citar o Instituto Histórico de Oeiras, utilizando a instituição como "boi de piranha" para reforçar uma narrativa considerada vexatória e sem fundamento, o que acabou expondo novamente o Instituto a uma situação constrangedora já vivida na semana anterior.
Ao final do discurso, o vereador foi além: propôs que o Poder Legislativo de Oeiras enviasse um ofício ao IPHAN para que o órgão fosse "provocado" a vir à cidade e apresentar "dados concretos que justifiquem a demolição" do imóvel. A proposta foi vista como uma tentativa de arrastar a Câmara Municipal para o centro de uma controvérsia técnica que foge completamente da competência do Legislativo, configurando um movimento interpretado como um equívoco institucional.
Para membros da comunidade cultural e observadores políticos local e estadual, o episódio revela o despreparo do parlamentar para tratar de temas técnicos e o risco de politizar assuntos que devem ser conduzidos com rigor, responsabilidade e diálogo entre os órgãos especializados. O caso também reforça a necessidade de que a Câmara mantenha seu papel de fiscalização sem ultrapassar os limites institucionais estabelecidos pela legislação.



