O teletrabalho, mais conhecido como home-office, já é utilizado por cerca de 62 mil trabalhadores no estado do Piauí, segundo dados do IBGE. Esse contingente representa aproximadamente 5% dos 1 .285 .000 ocupados no estado em 2022. Em nível nacional, 7,2% dos trabalhadores estavam nessa modalidade no mesmo período, o que corresponde a cerca de 7,4 milhões de pessoas.

Os especialistas consultados pelo portal apontam que, embora a forma de trabalho remoto traga vantagens como redução de deslocamento — no Piauí, 21,09% dos trabalhadores gastam mais de meia hora com o trajeto até o local de trabalho. —, ela também exige adaptação tanto das empresas quanto dos colaboradores.

A psicóloga organizacional Thalita Barbosa observa que a ausência de convivência física e de trocas informais pode afetar o engajamento, o senso de propósito e aumentar sintomas de ansiedade entre os trabalhadores. Já o empresário Fábio Nery, que comanda uma empresa estruturada no formato remoto, destaca que a gestão à distância exige clareza de processos, acompanhamento de resultados e cultura organizacional madura para que o home-office funcione bem.

Para os trabalhadores, segundo o colaborador remoto há 12 anos Fábio Silva, o modelo traz autonomia e flexibilidade, mas também requer disciplina, estabelecimento de limites entre trabalho e descanso, e organização dos próprios horários.

As empresas que adotam ou pretendem adotar o formato híbrido ou totalmente remoto precisam investir em ferramentas de monitoramento de desempenho, cultura corporativa adaptada ao ambiente digital e práticas que promovam o bem-estar mental das equipes. De acordo com o estudo, sem esses cuidados, há risco de queda de produtividade e de coesão entre colaboradores que já atuam fora do ambiente físico tradicional.