Causou o maior "frisson", na semana passada, a demolição da casa que pertenceu ao ex-prefeito de Oeiras e Deputado Estadual, Augusto Rocha Neto, encravada no âmbito do Tombamento do Conjunto Histórico e Paisagístico, promovido pelo IPHAN, 2012.

Como ocorreu com muita gente, decerto, fiquei impactado ao tomar conhecimento daquele fato. Encontrava-me em Teresina ao receber essa inusitada notícia.

Não sabia que aquele imóvel havia sido vendido, quem teria sido o comprador, se aquela derribada havia sido precedida do regular licenciamento daquela autarquia.

O aludido acautelamento federal, em apreço, numa apertada síntese, compõe-se de proteção rigorosa em determinados espaços urbanos e sua respectiva área de influência, a qual pode ser flexibilizada atendendo, eminentemente, a critérios técnicos.

O assunto foi objeto do alvedrio da opinião pública, exercício democrático. Os apressadinhos, movidos por ignorância e/ou maledicência, espalharam muita desinformação, cavilosas conclusões.

Não tiveram a honestidade em saber junto aos órgãos competentes acerca da legalidade do citado desmoronamento.

Assacaram ofensas ao profissional que elaborou o projeto arquitetônico daquela obra. Fizeram precipitadas ilações.

Cobraram indevido posicionamento a determinadas pessoas que, de há muito, defendem — por palavras e atos — o patrimônio físico e imaterial da nossa gente. E de forma desinteressada!

É uma vergonha que a Cidade Monumento Nacional, declarada pela Lei nº 7.745, de 30 de março de 1989, não possuir, ao longo dos tempos, na sua esfera administrativa, uma coordenação especializada, com a estrutura necessária e que conte com uma competente equipe multidisciplinar para desenvolver consequente política patrimonial.

Se houvesse, inúmeros bens que dizem mais de perto ao município, por exemplo, já teriam sido tombados, melhor assistido. Temos muito a avançar. A propósito, prego no deserto!

Oeiras se ressente da falta de um escritório do IPHAN, como ocorre em cidades históricas em Minas Gerais e demais Estados. A fiscalização "in loco" é esparsa, demorosa. Ademais, por falta de recursos, não tem promovido educação patrimonial, como deveria.

No entrechoque das ideias, eis que um palavroso régulo, chefe tribal, boquirrota, sem a menor compostura, um mínimo de substrato fático, propaga que o prévio licenciamento obtido junto ao IPHAN é fruto de maracutaia, propina. Só pode ser na tentativa de acachapar o arquiteto Edmo Campos que assina referido projeto e aos próprios servidores desse Órgão público.

Não se trata de rompante, são demonstrações de rotineiras prepotências. Cuidado, o santo é de barro!